HISTÓRICO

José Arlindo Névoa, nascido na cidade de Araraquara, localizada cerca de 280 km da capital paulista, em 1956, Arlindo conta que viveu sua infância com seus avós maternos numa favela. Mesmo vindo de uma família de classe média, teve de enfrentar algumas dificuldades financeiras. Mas viver nesta comunidade não era problema pra ele. Um presente de seu avô, diretor do Instituto Médico Legal (IML) de sua cidade, foi que marcou sua este período da sua vida: uma roda d’água (instrumento que usava a força aquática para gerar energia) feita com material reciclado de um cemitério na qual estava escrito “é proibido queimar vela neste túmulo.” Embora criança já percebia a necessidade de buscar algum trabalho, situação normal naquela época. Sem perspectivas de uma formação superior, as influências de trabalho que mais lhe chamaram a atenção foram a de seu tio, coveiro de cemitérios, e a de seu avô, diretor do Instituto Médico Legal (IML) da cidade de Araraquara.

Então, Arlindo começou a observar e auxiliar seu tio em sepultamentos e a ganhar algumas gratificações. Aos 13 anos já abria jazigos em cemitérios e acompanhava autópsias de corpos e verificações da causa mortis no IML. Anos depois, alguns médicos chegaram a deixar com Arlindo a responsabilidade de elaborar laudos, mesmo sendo apenas um assistente, pois confiavam em seu serviço. E assim foi se habituando a lidar com a morte e com a preparação de corpos para o sepultamento.

Aos 18 anos, foi trabalhar em uma funerária e, aos poucos, novas técnicas de preparação de corpos foram adquiridas pelo jovem. Foi nessa empresa que ele começou a ver novos horizontes na área. Já mais experiente, Arlindo percebeu que poderia dedicar-se inteiramente a este ofício. Tempos depois, tornou-se gerente de uma funerária e adquiriu conhecimento na área administrativa. Isso o incentivou, anos depois, a abrir um negócio no ramo para seus pais, entretanto, essa iniciativa não obteve sucesso.

Arlindo conheceu a tanatopraxia. Dois anos depois, ainda como gerente de uma empresa, muda-se para São José do Rio Preto, cerca de 442 km da capital paulista. Mas o seu principal objetivo não era representar a sua corporação, e sim aprender as técnicas da tanatopraxia, novas até o momento. Então, ao entrar em contato com esse conjunto de técnicas de preservação e preparação de corpos, Arlindo se encantou pela profissão. Sua curiosidade foi o que o motivou a aprender mais e mais.

Já em 2002, Arlindo, a convite de um empresário, veio à Fortaleza trabalhar como seu sócio numa clínica de preparação de corpos. Nesse local, abriu um espaço para exercer a sua profissão de tanatopraxista. Contudo, após notar a demanda da cidade e ter experiência suficiente, percebeu a necessidade de abrir um negócio próprio. Em 2003, após começar seu empreendimento em um local alugado, com esforço, Arlindo comprou o terreno onde hoje se localiza sua empresa, a Arlindo Névoa Clínica de Tanatopraxia. Lá, todos os materiais usados no tratamento de um corpo foram adaptados pelo tanatopraxista após anos de estudo e dedicação à área. Arlindo também inventou algumas técnicas em seu ramo e tem conhecimento suficiente da tanatopraxia para ministrar cursos e palestras. Além disso, ele produz todos os líquidos utilizados em sua clínica e as fórmulas são guardadas em segredo.